segunda-feira, 19 de agosto de 2019
ATÉ OS VIRTUOSOS MERECEM LIMITES!
Não se fala em outra coisa que não seja a votação e aprovação pela Câmara dos Deputados na noite da quarta-feira (14/8) do projeto de lei que atualiza a Lei do Abuso de Autoridade. Na verdade a lei antes omissa, para alguns casos, passou criminaliza expressamente os abusos cometidos por servidores públicos, juízes, membros do Ministério Público e das Forças Armadas, seguindo agora segue para sanção presidencial.
O Presidente, Jair Bolsonaro, já declarou que haverá algum veto, contudo, sem apresentar maiores informações ou detalhes.
Nas associações de classe que representam magistrados e membros do ministério público a gritaria é geral, sob o argumento de que a lei avilta direitos e garantias das classes.
Em nota o Presidente da AMB, Juiz Jayme de Oliveira, afirmou categoricamente ser contrário ao projeto de lei aprovado:
“A necessária punição a quem atue com abuso de autoridade não pode servir, sob qualquer pretexto, a intimidar ou de qualquer forma subtrair a independência do Poder Judiciário e seus juízes, que tanto realizam no combate à corrupção, na garantia dos direitos fundamentais e na consolidação da democracia.”
No sentido da contramão, o Presidente do STJ, Ministro João Otavio Noronha, se manifestou favorável ao texto de lei em entrevista para o portal Conjur:
“Aquilo vale para todas as autoridades, seja do Judiciário, seja do Executivo, seja do Legislativo. A lei é para todos. E nós também, juízes, temos que ter limites na nossa atuação, assim como tem os deputados, como tem o presidente da República, como tem os ministros do Executivo. Portanto, acredito que o que tem aí deve ser um aprimoramento da legislação”, afirma.
Presidente da Comissão Nacional de Legislação do Conselho Federal OAB, o advogado Ticiano Figueiredo auxiliou na tramitação do projeto na Câmara e comemorou a aprovação da proposta na Casa em entrevista publicado no Migalhas.
“É uma vitória importante para toda sociedade. Nenhum abuso deve ser admitido! A aprovação do PL demonstra a importância da retomada do diálogo entre a OAB e o Congresso Nacional e é a prova inequívoca da defesa intransigente que o Presidente Felipe Santa Cruz vem fazendo das prerrogativas do advogado.”
Particularmente, venho acompanhado a aparente união da Magistratura e Ministério Público contrários ao projeto de lei aprovado, que lista mais de 30 ações que, se forem praticadas com o intuito de prejudicar ou beneficiar alguém, configuram abuso de autoridade.
As mais debatidas são: obter provas por meios ilícitos; executar mandado de busca e apreensão de forma ostensiva para expor o investigado; impedir encontro reservado entre presos e seus advogados; decretar a condução coercitiva de testemunhas ou de investigados que não tenham sido intimados a depor; realização interceptação telefônica sem autorização judicial; e decretação de prisão provisória em “manifesta desconformidade com as hipóteses legais”.
Em artigo intitulado “Lei do abuso: juízes e procuradores não confiam neles mesmos?” recente o Professor Leino Luiz Streck, citando crônica de Élio Gaspari foi cirúrgico:
“Penso que devemos ir mais fundo. E minha inspiração vem de uma antiga coluna de Élio Gaspari — que não é jurista e não me consta ter escrito algum livro sobre hermenêutica. Ele foi na jugular do problema:
‘Antes de concordar com o fim do mundo, fica uma pergunta: quem poderá condenar o policial, procurador ou o juiz? Um magistrado, só um magistrado. Se os procuradores da ‘lava jato’, o juiz Moro… [acrescento: e todos os que criticam o projeto não confiam na justiça], por que alguém haverá de fazê-lo?’
Perfeito. O que Gaspari quer dizer? Simples. Que, pela vez primeira, os juízes e membros do MP estão com medo de uma lei, no caso, a do abuso de autoridade, lei que eles mesmos aplicarão.
Gaspari repergunta: por qual razão os juízes deveriam temer a nova lei, se esta será aplicada pelos juízes e fiscalizada pelo MP?
O judiciário e o MP não são confiáveis? Responde Gaspari: Os juízes não confiam neles mesmos.”
É fato que a lei precisa de alguma depuração, mas foi preciso trazer limites ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, pois como asseverou o Barão de Montesquieu, “Até a virtude precisa de limites”.
Pbagora
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
Comissão da OAB participa de debate sobre candidaturas avulsas nas eleições brasileiras
A OAB foi representada na audiência pelo advogado Marcos Antônio Souto Maior Filho, membro da Comissão de Estudo da Reforma Política. Ele apresentou aos deputados um parecer da própria Comissão da OAB destacando os problemas que o atual projeto acaba gerando com a mudança da legislação. Para Marcos Souto Maior, permitir as candidaturas avulsas sem a necessidade de um partido político demandaria mudanças muito mais profundas na legislação.
“É preciso discutir de forma técnica a viabilidade dessa alteração, uma mudança abrupta e que apenas altera de forma cartorial um dispositivo constitucional para permitir candidaturas independentes. Da forma como o projeto está é impraticável, por conta de todo o sistema político já organizado”, afirmou o representante da OAB.
Marcou Souto Maior explicou ainda sobre a importância dos partidos políticos na organização do parlamento. “A regra nas casas legislativas observa o sistema proporcional, com maiorias e minorias, por exemplo. Para mudar isso, é preciso debater fonte de recursos, tempo de TV e sistema de representatividade, dentre outras alterações necessárias para que as candidaturas avulsas sejam efetivas”, avaliou Marcos Souto Maior.
A presidente da Comissão Especial de Estudo da Reforma Política, Luciana Nepomuceno, explicou que o colegiado está atento aos debates legislativos e vai participar ainda de outras audiências públicas. “A OAB participa de diversas frentes no parlamento sempre para colaborar do ponto de vista técnico, apresentando estudos, pareceres e contribuindo para qualificar o debate e para defender os interesses dos cidadãos”, afirmou Luciana.
Além do debate no parlamento, o Supremo Tribunal Federal (STF) também vai analisar o tema das candidaturas avulsas ainda este ano. A expectativa é que a corte também realize audiências públicas antes de julgar se a regra atual, que proíbe esse tipo de candidatura, respeita o que está estabelecido na Constituição.
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
“Pleno do TRE-PB reconhece direito de Carlão, mas não da posse”, diz advogado

Na Sessão Plenária do Tribunal de Regional Eleitoral da Paraíba de
ontem um dos processos passou desapercebido da mídia, foi o Mandado de
Segurança do Suplente de Vereador da Câmara Municipal de João Pessoa,
Carlão do Cristo, que pedia para tomar posse até o julgamento de Ação
tramitando perante o TJ-PB.
O Vereador contratou o Advogado, Marcos Souto
Maior Filho, para que perante a Justiça Eleitoral fosse decido sob seu
exercício imediato do mandato até que seja resolvida o incidente de
inconstitucionalidade levando pelo Des. Leandro dos Santos perante o
TJ-PB.
Carlão do Cristo havia solicito ao Juiz da 64ª Zona
Eleitoral, quem expediu o diploma de 1º Suplente, garantir-se a decisão
da Justiça Eleitoral que determinou a expedição do diploma ordenando a
posse imediata.
Nas redes sociais Marcos Souto Maior Filho,
advogado de Carlão do Cristo disparou: “Não é lógico que a Justiça que
expede o diploma eleitoral, seja incompetente para garantir sua execução
e higidez.”
O primeiro obstáculo para a defesa de Carlão do
Cristo foi ultrapassar a jurisprudência da Justiça Eleitoral que durante
décadas entendia ser de competência da Justiça Comum o julgamento de
causa sobre sucessão por morte ou renúncia de parlamentares.
Durante
o julgamento o TRE-PB preliminarmente entendeu a unanimidade que a
matéria é de competência da Justiça Eleitoral, tendo, se abstido de
votar o Des. José Ricardo Porto, vice-presidente da Corte Eleitoral.
No
mérito o Tribunal entendeu que não poderia dar posse ao Vereador, pois a
decisão do Juiz da 64ª Zona Eleitoral, Dr. Fábio Leandro, não seria
ilegal, já que vazada em interpretação até então pacífica da Justiça
Eleitoral.
“Assim, ao contrário do que alega o Impetrante, o seu
direito de assumir a vaga deixada pelo ex-vereador Eduardo Jorge Soares
Carneiro não foi violado pela decisão proferida pela autoridade apontada
como coatora, eis que ao decidir o pedido de posse nos autos do
processo de diplomação aquela autoridade apenas entendeu, amparado pela
lei e jurisprudência existente, faltar-lhe competência para tal.”
Asseverou o Relator Arthur Fialho no TRE-PB.
O TRE-PB reconheceu a
constitucionalidade do parágrafo único do artigo 112 do Código
Eleitoral, e, inclusive o direito de Carlão do Cristo, mas não deu
concedeu a ordem para coloca-lo no mandato.
“Desse modo, o 1º
suplente da coligação é 1º suplente para ocupar a vaga do titular eleito
pela coligação, obedecendo-se a proclamação dos resultados das eleições
e a diplomação dos suplentes, na ordem definida naquela.” (Voto do Dr.
Arthur Filho)
Ouvido pelo Portal o Vereador Carlão do Cristo disse que não se
pronunciaria sobre a matéria, pois estavam entregues aos seus advogados:
“Esse tema tem me deixado muito triste, sou uma pessoa simples e do
povo que se vê injustiçada. A matéria esta com os meus advogados e
confio neles.”
O
advogado de Carlão do Cristo, Dr. Marcos Souto Maior Filho, disse que
irá recorrer para o Tribunal Superior Eleitoral e esta confiante de uma
decisão favorável. “Particularmente não vejo a possibilidade de impedir
por liminar a posse de um parlamentar eleito. Carlão do Cristo é
primeiro suplente e esta com seus direitos políticos sem qualquer
restrição. Se desejam discutir constitucionalidade ou teses que façam
com ele no cargo, a presunção é de legitimidade da norma e do diploma
expedido pela Justiça Eleitoral.”
Para a defesa de Carlão do
Cristo, sendo a Justiça Eleitoral competente para tratar dos casos de
sucessão por morte ou renúncia, não existe logica de aguarda a
tramitação de incidente de constitucionalidade no TJ-PB.
“Além de
ser incompetente para julgar essa matéria a Justiça Comum esta causando
prejuízo a Carlão do Cristo, quem vai se responsabilizar pelos 6 meses
de mandato perdido. Parte da população pessoense está sem representação
da casa que tem 27 vereadores, mas a mais seis meses apenas 26 exercem a
função. Há prejuízo politico e econômico. Vamos ao TSE.” Finalizou
Marcos Souto Maior Filho, advogado de Carlão do Cristo.
quinta-feira, 18 de julho de 2019
“NOVA” REFORMA POLÍTICA?
Em
meio à instabilidade política e batalha no parlamento brasileiro pela aprovação
de reformas previdenciárias, com vistas a pretensa retomada do crescimento
econômico, pouco se discute sobre as eleições de 2020.
É
sabido que o próximo ano será de “eleições municipais”, quando serão eleitos 56.810
vereadores e 5.568 prefeitos municipais
em todo Brasil, que comandarão sob a órbita dos municípios pelos próximos
quatro anos.
A
Constituição Federal estabelece em seu art. 16 um limite temporal para
acontecerem mudanças no sistema eleitoral brasileiro, é o que se denomina
princípio da anterioridade da norma eleitoral, tais limites visam garantir
segurança jurídica durante o processo eleitoreira, evitando modificações
casuísticas e mitigado eventual desejo de perpetuação dos mandatários que já
estão no poder.
Pois
bem, esse prazo fatídico termina em 11 de outubro de 2019, justamente um ano
antes das eleições de 2020.
No
corte atual é muito difícil haver modificações significativas no sistema ou
mesmo no próprio processo eleitoral, já que todas as forças políticas estão
convergindo para as reformas previdenciária e tributária.
Haverá
eleições com a manutenção das modificações havidas em 2017, uma delas muito
significativa ao nosso sentir. Trata-se do fim das coligações partidárias para
eleição com fins de preenchimento das vagas no parlamento, o que levará ao
fortalecimento partidário, minorando a força nefasta da venda de ‘tempos” de TV
e Rádio, bem como separando o joio do trigo, afastando siglas de aluguel sem
qualquer expressão.
Importante,
frisar que existem vários projetos retrógrados tramitando no Congresso
Nacional, dentre eles podemos citar o fim da reserva legal de uma porcentagem
de vagas para mulheres, que garante a presença feminina ao parlamento, e o
retorno do sistema de voto distrital, além da candidatura avulsa.
Sobre
essa última proposta (candidatura avulsa) tivemos o privilégio de relatar a análise
do projeto perante a Comissão Nacional de Estudo da Reforma Política no CFOAB,
quando pessoalmente me posicionei totalmente contrário, pala inviabilidade
política, jurídico-sistêmica e administrativa de aprovação das candidaturas
avulsas.
A
candidatura avulsa conflitaria com o próprio sistema eleitoral proporcional,
que depende dos votos de cada partido. A fixação do quociente partidário e
eleitoral teria de ser reformulada para que os avulsos competissem em pé de
igualdade com os candidatos filiados a partidos.
As
propostas de emenda constitucional que postulam tais candidaturas nada mais são
do que um reflexo de projetos personalistas fomentados pelos avulsos, sem
respeito à coletividade, posto que os partidos políticos são base essencial da
democracia representativa.
Na
realidade, são os Partidos que agrupam as principais demandas sociais,
mobilizam pessoas, representam interesses, organizam o pleito eleitoral e, por
fim, apresentam candidatos nas eleições.
Outros
projetos que estão ganhando força no cenário jurídico-político são a redução
das vagas e dos mandatos dos Senadores, unificação das eleições gerais com as
municipais, além do aumento dos mandatos para cinco anos e da proibição de
reeleição, o que entendemos dificílimo de ser aprovado.
Em
que pese a necessidade de uma reforma política ampla e irrestrita, é preciso
ter parcimônia e tranquilidade, pois não podemos fazer do processo eleitoral um
laboratório de apuração do que é melhor para democracia.
Que
venham as eleições com o fim das coligações, mantendo os limites da arrecadação
e gastos eleitorais e cláusulas de barreira ou desempenho, assim como da redução
do processo eleitoral. Só após terminar a aplicação por completo da minireforma
de 2017, poderemos pensar em rever o atual sistema.
terça-feira, 16 de julho de 2019
REFORMA POLÍTICA NÃO TEM CHANCE DE AVANÇAR
Quando o assunto é reforma política, os parlamentares fogem do repórter
como o diabo fugiria da cruz. Foram 30 dias tentando ouvir políticos
paraibanos sobre um dos assuntos mais necessários à democracia
brasileira neste momento. Só dois responderam alguma coisa, a maioria
fugiu do tema.
A razão disso é o pouco interesse em mexer numa
estrutura que os beneficia. A regra do jogo como está garante aos 12
deputados e três senadores paraibanos a permanência no poder do grupo
político a que pertencem, privilégios, currais eleitorais e toda uma
sorte de vantagens que só o mundo político brasileiro reproduz.
A
última mexida no tabuleiro feita em 2017 e não foi uma reforma. O
Legislativo deu seu golpe e aprovou o fim das coligações para disputas
proporcionais (que só passará a valer em 2020) e a criação do Fundo
Especial para Financiamento de Campanhas, que tirou do cidadão e deu ao
político R$ R$ 1,7 bilhão para ele conseguir seus votos.
Agora,
os políticos já defendem a volta das coligações e a retomada do
financiamento de campanhas por empresas, modelo que foi extinto em 2015.
Para especialistas, a implantação do voto distrital misto e adoção da
escolha de candidatos, dentro dos partidos, através do sistema de
listas. O voto distrital deixa o parlamentar bem mais próximo e sujeito a
mais cobranças do eleitor, enquanto as listas estimulariam a seleção de
candidatos com mais preparo e maior identificação com bandeiras
partidárias.
Assim, a reforma política segue fora da pauta
principal do Congresso Nacional e algumas das propostas apresentadas por
deputados e senadores representam retrocesso, pois buscam o retorno de
algumas regras que valiam antes das últimas alterações nos sistemas
político e eleitoral, consideradas avanços para solução de alguns
problemas, dentre elas o fim do financiamento empresarial de campanhas, a
extinção dos chamados puxadores de votos e as eleições por meio das
coligações partidárias nas disputas proporcionais.
Por enquanto,
não há expectativa que essas e outras propostas, apresentadas neste ano
e as que deverão vir pela frente, sejam aprovadas em tempo hábil. Até
porque faltam menos de três meses do prazo final para que qualquer
alteração no sistema político e eleitoral brasileiro passe a valer para
as eleições de 2020. Além disso, as discussões sobre uma nova Reforma
Política ocorrem de forma pontual e lenta, com propostas que podem
resultar em uma contrarreforma. Para que tenham validade no próximo
pleito, é preciso que o Congresso Nacional aprove e promulgue, ou o
presidente da República sancione qualquer tipo de alteração até 11 de
outubro.
Como as discussões, muito pelo comprometimento da
agenda parlamentar com as questões de ordem econômica e o projeto de
reforma da previdência e agora a da tributária ainda não decolaram,
parlamentares e juristas acreditam que ela, mais uma vez, não sairá do
papel.
Mesmo que deputados federais e senadores já tenham
apresentado neste ano mais de 20 projetos para alterar as regras das
próximas disputas, e até mesmo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter
formalizado, ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), proposta formal de mudança para o sistema eleitoral, elas
precisam ser aprovadas até o começo de outubro.
No entanto, o
clima não vem sendo nada favorável para a priorização dessas matérias e
para que elas sejam votadas em tempo hábil para passar a vigorar em
2020, quando serão eleitos os prefeitos e os vereadores dos 5.570
municípios brasileiros.
Na contramão
Dentre as propostas que caminham na contramão do que já foi aprovado, já
passou a vigorar ou que vão vigorar a partir do próximo ano, estão a
que prevê o retorno das coligações para disputa proporcional. A
alteração da regra, aprovada em 2017, passou a proibir a celebração de
coligações nas disputas proporcionais a partir das eleições do próximo
ano. Os partidos terão que eleger seus parlamentares sozinhos, com os
próprios votos e o da própria legenda.
Há pelo menos quatro
propostas de extinção do Fundo de Especial de Financiamento Público de
Campanhas, o chamado fundo eleitoral, também aprovado em 2017. Como se
não bastasse, tem proposta para o retorno do financiamento de campanhas
por empresas, como também para aumentar ou acabar com a cota para
mulheres e até para diminuir a quantidade de algarismos no número que os
candidatos a vereador usam nas urnas, de cinco para três.
Também há propostas para alteração em regas de debates, de entrevistas
na TV e na divulgação de pesquisas. Como um projeto apresentado pelo
deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), que foi eleito com base em sua
atuação nas redes sociais e quer extinguir o fundo eleitoral, o fundo
partidário (que financia partidos políticos e a propaganda eleitoral
gratuita no rádio e na TV), com o argumento de que a divisão do fundo é
antidemocrática, porque o eleitor financia partidos e candidatos com os
quais não concorda, enquanto veem sem recursos aquele partido ou
candidato com o qual tem afinidade.
No que diz respeito à cota
de gênero, há uma proposta do senador Angelo Coronel (PSDB-BA), que quer
acabar com uma regra que está em vigor desde 2009, segundo a qual as
mulheres precisam ser 30% das candidaturas registradas. Também há
propostas que preveem ampliação dessa conquista, como as de autoria dos
deputados federais Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP),
que destinam mais espaços para mulheres. Uma reserva 50% das vagas no
legislativo municipal e distrital, como também para deputados, de 50%
para cada gênero.
Sem atualização
O
senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB) considera que as propostas para
reforma política são infrutíferas para o momento. Segundo ele, não há
como se levantar quaisquer discussões que visem mudanças nas legislações
eleitorais.
“Vamos para uma disputa eleitoral no próximo ano,
na qual as coligações proporcionais não serão mais permitidas. Será uma
primeira experiência com o fim das coligações. Eu acho que reforma
política não é o tema de agora. Eu penso que uma reforma política mais
profunda deveria ter sido feita desde 2015, como eu sempre disse, mas
não foi. Ficaram sendo feitos remendos, mas no momento não vejo qualquer
ambiente para essa discussão”, comentou.
Veneziano disse ainda
que o que defenderia, se houvesse tempo hábil e vontade política para
realização de uma reforma política, seria um calendário único, com a
unificação das eleições para todos os cargos eletivos. “Eu sempre
defendi essa proposta. Mas os próprios presidentes, tanto da Câmara,
quanto do Senado - a matéria está na Câmara - não veem condições do
debate do tema neste instante. Eu sou defensor do calendário único, de
vereador a presidente da República, num único momento, para que nós não
tenhamos tantas perdas que são verificadas, quando se estabelece
eleições em períodos tão curtos de dois em dois anos”, afirmou.
O
deputado Efraim Filho (Democratas), coordenador da bancada federal da
Paraíba, também acredita que as discussões sobre reforma política não
vão entrar na pauta, devido a prioridade que estão elencadas para o
período, que são as reformas da previdência e tributária.
“Enquanto não houver a votação da reforma política, as demais reformas, e
principalmente a política, ficarão paradas. Não há nada em andamento
ainda na Câmara sobre reforma políticas. As propostas apresentadas estão
paralisadas”, declarou.
Os demais integrantes da bancada
federal paraibana também foram procurados para falar sobre as propostas
de reforma em tramitação na Casa, mas preferiram não opinar. Porque
acreditam que elas não serão votadas em tempo hábil para passar a
vigorar no próximo ano.
O cenário totalmente desfavorável à
reforma política também é apontado por juristas. Para o advogado
Delosmar Mendonça, professor de Direito Eleitoral, devido à
instabilidade econômica, social e política do país, não há cenário
favorável para a reforma política.
“A prioridade é no campo
fiscal. Antes da retomada do crescimento econômico e geração de empregos
não vejo como inserir reforma política. Temo que a crise social vá se
agravar e ainda se articular com a profunda intolerância política do
momento”, comentou.
O advogado defende o voto distrital misto, o
fim da reeleição para qualquer cargo, mandato de cinco anos, revogação
popular de mandato eletivo; a proibição de doação por pessoas jurídicas e
o fim do financiamento público de campanhas, a coincidência das
eleições, a manutenção da cláusula de barreira e desempenho.
“Não defendo candidaturas avulsas e nem o voto facultativo. Mas sou
favorável que ocorra a redução do número de senadores e de mandatos. No
caso, ao invés de três, teríamos dois. E o mandato seria reduzido de
oito para cinco anos”, defendeu.
O advogado Marcelo Weick, que é
coordenador geral da Academia de Direito Eleitoral (Abradep), também
acredita que este ano há uma forte probabilidade do Congresso Nacional
retomar as discussões sobre a Reforma Política. Segundo ele, um dos
pontos a serem discutidos, por provocação do próprio Tribunal Superior
Eleitoral, em uma comissão especial coordenada pelo ministro Luís
Roberto Barroso, é a introdução do sistema distrital misto, em
substituição ao atual sistema proporcional. “Haverá também um debate
sobre a antecipação dos prazos de registro de candidaturas (atualmente
com prazo de até 45 dias antes da eleição), como forma de possibilitar o
julgamento das inelegibilidades para antes do dia da eleição”,
comentou.
Weick também destacou a forte movimentação de
prefeitos para a unificação das eleições e, segundo ele, com uma
flagrante inconstitucionalidade na ideia de prorrogação dos atuais
mandatos de prefeitos, além da tentativa de emplacar um maior rigor para
a cláusula de barreira, com maiores limitações às prerrogativas
parlamentares, para forçar a diminuição de partidos políticos no Brasil.
“Essa tentativa vai permanecer, como forma de reduzir o número de
partidos, o que já está em curso, com a cláusula de desempenho e o fim
das coligações para cargos proporcionais que vão passar a vigorar nas
eleições do próximo ano”, opinou.
Já para o advogado e sociólogo
Breno Wanderley César Segundo, que já atuou com juiz do Tribunal
Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), é muito difícil que ocorra
qualquer mudança significativa advinda da reforma política para as
próximas eleições.
“Creio que nem tão cedo o assunto seja
debatido no Congresso Nacional. Mas acredito que a proposta que mais
avançou, embora de modo tímido, foi a discussão sobre o Sistema Misto
Alemão. Esse sistema combina representação proporcional com majoritária
para a eleição parlamentar. Penso que existe uma tendência dos
legisladores a propor que o voto seja realizado em Lista Fechada nas
eleições de 2022, para selecionar os candidatos. Vários países a exemplo
do México, Itália, Japão, Nova Zelândia, Albânia, Croácia, Rússia,
Venezuela, Hungria, dentre outros passaram a utilizar esse sistema”,
comentou.
De acordo com Breno, o Brasil deveria adotar o sistema
parlamentarista. “Historicamente já se pode perceber que o
presidencialismo não deu certo. Concordo com o pensamento do ex-deputado
Marcondes Gadelha com o fato de que o presidencialismo é uma indústria
de crises e de que o presidencialismo foi responsável por golpe,
suicídio, deportação, impeachment dentre outras crises. Acredito que o
parlamentarismo é uma forma de se evitar e minorar uma série de males
para a República”, declarou.
OAB forma comissão especial para discutir proposta
Para tratar da elaboração, análise e discussão de propostas e temas
para reforma política, o presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe
Santa Cruz, instituiu a Comissão Nacional de Estudo da Reforma Política,
que conta com representantes de todo o país como membros. Um dos
integrantes da comissão é o advogado paraibano Marcos Souto Maior Filho.
Ele explicou que a comissão especial tem função de estudar todos os
assuntos relativos à Reforma Política no Conselho Federal e manter
intercâmbio com o Congresso Nacional enviando projetos sobre o tema,
após serem submetidos ao Pleno do CFOAB.
A primeira reunião da
comissão ocorreu no fim do mês passado, quando foram distribuídos como
os integrantes da comissão uma série de temas para serem analisados e
para que cada um apresentem seus pareceres sobre a proposta. O tema que
ficou sob a responsabilidade do paraibano foi sobre a questão das
candidaturas avulsas, que trata da possibilidade de candidaturas sem
filiação partidária e de forma independente, propondo alteração na
Constituição Federal e a legislação eleitoral em vigor.
Inclusive a Comissão, como adiantou Marcos Souto, caminha pela aprovação
contrária à implantação do voto distrital misto, por considerar que não
trará avanços para o sistema eleitoral, nem redução de gastos, nem
aumento da representação parlamentar. Inclusive já aprovou o parecer
prévio contrário à proposta, que inclusive foi apresentada pelo TSE ao
presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, como proposta
prioritária da Justiça Eleitoral. O parecer definitivo, com a posição da
OAB será aprovado pelo Conselho Federal.
Apesar de integrar a
comissão especial da reforma política da OAB, o advogado Marcos Souto
disse que acha muito difícil haver uma reforma política ampla,
irrestrita, como é defendido. “Alguns defendem a reforma política de,
inicialmente, fazer uma experiência nos municípios. Eu sou contra ao
voto distrital, a candidatura avulsa, e entendo que diante da existência
de grandes conflitos no Congresso Nacional, em relação às reformas
previdenciárias e a tributária, pouco se avançará no que diz respeito à
reforma política”, declarou.
Para ele, mesmo com a realização de
uma reforma ampla, não mudará muito os problemas existentes no sistema
eleitoral e político do país. “A reforma maior, no meu sentir, é na
consciência do cidadão, é na consciência do eleitor e eleitora para
eleger representantes dignos, afastando de uma vez por todas a
corrupção, a compra de votos e qualquer crime de caixa 2”, declarou.
Marcos Souto Maior Filho foi juiz do TRE-PB e exerceu vários cargos na
OAB, além de ter integrado a Comissão Nacional de Direito Eleitoral no
período de 2013 a 2016, nomeado pelo ex-presidente Marcus Vinicius, e a
Comissão de Direito Eleitoral da OAB-DF durante o triênio 2016/2018.
“Fico muito feliz e lisonjeado pela indicação do presidente da OAB-DF e
pela nomeação pelo presidente do Conselho Federal. Estarei lá,
modestamente, emprestando meus serviços e conhecimentos técnicos à nossa
OAB em um dos temas mais caros para o Direito brasileiro”, comentou.
Por Adriana Rodrigues / 14 de julho de 2019.
segunda-feira, 10 de junho de 2019
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| Dr. Marcos Souto Maior Filho e o Presidente da OAB-DF, Dr. Délio Lins e Silva Júnior. |
O Presidente do Conselho Federal da OAB, Dr. Felipe Santa Cruz, nomeou por indicação da OAB-DF o advogado Paraibano, Dr. Marcos Souto Maior Filho, para exercer as funções de Membro Efetivo da Comissão Nacional de Estudo da Reforma Política.
A Comissão Especial tem função de estudar todos os assuntos relativos a Reforma Política perante o Conselho Federal e manter intercambio com o Congresso Nacional enviano projetos sobre o tema, após submetidos ao Pleno do CFOAB. Souto Maior foi juiz do TRE-PB e exerceu vários cargos na OAB, além de ter integrado a Comissão Nacional de Direito Eleitoral (2013/2016) nomeado pelo ex-Presidente Marcus Vinicius e a Comissão de Direito Eleitoral da OAB-DF durante o triênio 2016/2018.
“Fico muito feliz e lisongeado pela indicação do Presidente da OAB-DF, Dr. Délio Lins e Silva Júnior, e pela nomeação pelo Presidente do Conselho Federal, Dr. Felipe Santa Cruz. Estarei lá modestamente emprestando meus serviços e conhecimentos tecnicos a nossa OAB em um dos temas mais caros para o Direito Brasileiro. De fato junto com as reformas tributária e previdenciária, a reforma política é tema urgente e de alta relevância. Estarei sempre à diposição da Conselheira Federal, Dra. Luciana Nepomuceno, minha presidente na Comissão Nacional para ajudar e debater os temas que me forem submetidos.” ressaltou Dr. Marcos Souto Maior Filho.
![]() |
| portaria de nomeação |
Novos advogados homenageiam familiares aos receberem a carteira profissional
O apoio da mãe, do irmão, da esposa e de um amigo foi determinante para que Felipe Herbet Braga dos Santos subisse à tribuna do auditório da OAB/DF, nesta quarta-feira (15/5), para receber a carteira de advogado. Assim ele definiu ao iniciar seu discurso como orador da turma de 69 novos profissionais da advocacia que ganharam o documento. “São eles as pessoas que me permitiram realizar esse sonho hoje”, disse, em referência aos quatro.
Felipe enumerou as dificuldades que o curso de Direito impôs e as dúvidas e certezas que enfrentou. “Nós merecemos chegar aqui, somos dignos deste momento. Agora, somos fontes de inspiração para os futuros colegas que continuam tentando”, afirmou.
Na plateia, Abraão Alves Gomes, de 28 anos, que também aguardava ali sua carteira de advogado, reviu sua própria estória no discurso do colega. “O Direito para mim foi um sonho e eu me identifiquei com o discurso do Felipe. Minha esposa está grávida, assim como a dele, e minha mãe sempre me ajudou muito. A minha formatura foi resultado da luta e perseverança dela. Estar aqui é a realização de um sonho e vou começar do zero. Não tenho nenhum familiar advogado”, destacou ele, que mora no Paranoá”.
Danilo Dias Lourenço dos Santos, 25 anos, fez questão de receber a carteira ao lado ao pai e do avô de 83 anos. Bacharel em Direito, o pai, Gilmar Lourenço, foi uma fonte de inspiração, assim como o tio, que também é da área. A meta de Danilo é advogar nos tribunais. “Nunca tive dúvida disso”, destacou.
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| Danilo recebeu a carteira ao lado do pai e do avô |
Amor e empenho
A parafinfa da turma, a advogada Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro, reforçou a importância da família para o desempenho acadêmico. “Esta vitória deve ser compartilhada com todos os familiares, porque são eles que partilham conosco as angústias, as alegrias, as dúvidas, desde antes da entrada na faculdade, como durante o curso, o estágio e a preparação para o Exame de Ordem”, comentou.
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| A parafinfa da turma, Dra. Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro |
A paraninfa destacou que o jovens começam a profissão num contexto de evoluções muito rápidas. “Hoje o Supremo Tribunal Federal tem um assessor muito ilustre, que se chama Victor Nunes Leal, mas ele não é o saudoso ministro defensor das liberdades, ele é um robô que vai começar não só a catalogar processos por assunto, mas também a indicar ao ministro a decisão que ele costuma dar nos casos. Fará ainda um mapeamento de todos os votos, todas as decisões proferidas nas matérias em questão”, detalhou. “Competir com um banco de dados desta profundidade, e com mais 1,2 milhão de advogados que estão no mercado, não é fácil”, disse.
Segundo ela, para vencer as adversidades da profissão é preciso amor e empenho. “Amor pela causa, amor pelo Direito, amor pelo cliente”. Aos jovens que deixaram o auditório com suas carteiras, ela aconselhou um exercício permanente: “fechem sempre os olhos e se perguntem: se você tivesse um problema você se contrataria? Se sim, é porque está no caminho correto”, concluiu
O presidente da OAB/DF, Délio Lins e Silva Júnior, reforçou o conselho de Maria Cláudia. “Sigam à risca. Tenham sempre amor e paixão pela advocacia”, disse. Antes dele, a presidente da Subseção de Samambaia e do Recanto das Emas da OAB/DF, Joana D’Arc Soares dos Santos, reforçou que a seccional hoje é paritária e convidou as novas advogadas para ingressarem nos quadros da Ordem.
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| Dr. Marcos Souto Maior Filho e o Des. Flávio Britto do TRE-DF. |
Compuseram também a mesa o secretário-geral, Márcio de Souza Oliveira, o diretor-tesoureiro, Paulo Maurício Siqueira, conselheiros federais, representantes das comissões, subseções, Conselho Jovem e da Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal (CAADF). Também compareceram o desembargador do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/DF), Flávio Britto, e o ex-juiz do TRE da Paraíba, Marcos Souto Maior Filho.
Fonte: OAB-DF
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